Achei esse texto sensacional!
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos
e a não ter outra vista que não seja as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma acender mais cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado.
A ler jornal no ônibus porque não pode perder tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá pra almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja número para os mortos.
E aceitando os números aceita não acreditar nas negociações de paz,
aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
A lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer filas para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e a ver cartazes.
A abrir as revistas e a ver anúncios.
A ligar a televisão e a ver comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição.
As salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
A luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
A contaminação da água do mar.
A lenta morte dos rios.
Se acostuma a não ouvir o passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães,
a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai se afastando uma dor aqui,
um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço.
Se a praia está contaminada a gente só molha os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo
e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
É por tudo isso que minha luta não pára, durante as 24 horas de todos os dias...
terça-feira, 13 de abril de 2010
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pinheiro que não se fabrica mais
Antão, fala mais baixo!!! – falou minha mãe, dizendo para diminuir o tom de voz. Sabe o que é? Antão era um homem grandão que morava aqui na cidade. Grande como ele só a sua voz. Parecia aqueles negrões americanos com voz supersônica.
E minha mãe não perdia uma só oportunidade para nos comparar com alguém, se era gorda, era igual a Dona redonda da novela Saramandaia, se era magra também não escapava ela dizia que era igualzinha a Dona Conceição, a merendeira lá da escola. Então, Antão.
Mal ou bem, de família ou não, só sei que falar aos trovejões é marca registrada das mulheres da minha família, mal que vai passando de geração em geração. Esse atributo é herança paterna, muito embora, minha mãe , talvez por hábito tenha se tornado um Antão de saias.
Meu avô era assim, as pessoas se assustavam e pediam desculpas quando ele as elogiava, tal era o griteiro e o jeito sisudo que costumava falar.
Seu Pinheiro, sincero e honesto como não mais conheci outro. Vendia seus relógios assim: Esse é uma bagatela, mas já vou avisando que não tem garantia, não vale grande coisa. Mas... – dizia ele virando para o outro balcão.
- Se quiser coisa boa, com garantia e á prova dágua, temos esses aqui Oriento ou Technos. Esses sim, duram a vida toda.
Com ele não tinha tranqueira levava se tinha dinheiro ou se não tinha, , ninguém entendia seu jeito de fazer negócios, mas que dava certo, ah isso dava. Acabou se tornando um dos mais estáveis comerciantes de Ouro Negro, cidade onde nasci e moro até hoje.
Era também em Ouro Negro que morava uma anãzinha que se ocupava de ficar parada na porta do banco a pedir moedas. Era quase fanha a coitada, falava oitenta por cento pelo nariz e vinte por cento pelo guarda-chuva ou sombrinha que carregava na mão.
Figura sofrida essa Dona Violeta, sozinha com sua touca de crochê azul, meias listradas em estilo zebrinha e a sua já tão falada sombrinha de bater na gurizada que a perseguia rindo e chamando:
-Lagartiiiixaaaaaa!!!
Pois foi para ela, a Lagartixa que Seu Pinheiro abriu crediário realizando um antigo anseio da baixinha com nome de flor, ter o seu radinho de pilha para ouvir a Rádio Itaí. Toda a semana, religiosamente ela aparecia, sombrinha numa mão e agora, radinho de pilha pendurado no braço, trazendo uns “pilinhas” para diminuir a dívida.
Uma vez elogiei a atitude do meu avô e ele, sisudo e com um vozeirão a “la antão”, disparou:
-Favor coisa nenhuma. Eu sou lá de fazer favor pra alguém? E negócio é negócio, entendeu “chouriço”. – dizia me apertando o nariz.
Entendi sim, era “negócio”. Essa foi uma das diversas vezes em que vi meu avô dar outro nome a generosidade e respeito ao próximo.
Pinheiro assim que o mundo não fabrica mais!
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
Preces e Risos
Numa certa época o objeto mais chique que tínhamos em casa era uma bíblia grande com a borda das folhas douradas.Todas juntas reluziam parecendo ouro. Até hoje não sei o fim que deram a ela;só sei que fazia parte das diversas coleções
de livros que meu pai adorava comprar dos viajantes.Meu amor
pela leitura é herança de pai e mãe; minha mãe sempre gostou de ler e meu pai era apaixonado pelos livros , achava-os importantes, gostava de vê-los na estante enfileirados e limpos, com cheiro de novo.
Novenas e procissões faziam parte do calendário religioso da família e nós meninas , botávamos vestidos de brodery , meia americana,sapato de verniz , melindrosas de bolinhas e correntes com medalha de santinho no pescoço.
Era uma festa , toda a cidade se reunia , a procissão partia da igreja matriz e dava a volta na cidade. A mais bonita pra mim era a de Santa Bárbara, nela a Santa era carregada cheia de flores pelos mineiros que usavam capacetes com as luzes acesas na cabeça,uniformizados iam iluminando o caminho até a mina de carvão, onde a Santa era levada até o subsolo para abençoar o local e trabalhadores,protegendo-os de acidentes e desgostos, como se isso fosse possível...
Mais tarde continuaria gostando muito dessa data , 4 de dezembro, aniversário de alguém muito especial , com quem partilharia a janela pra ver a santa passar todos os anos em direção ao poço, naquele ritual idólatra.
Mas, voltando ao passado , numa dessas procissões , iam em nossa frente carregando velinhas acesas e rosários de cristal,duas senhoras respeitadíssimas ; uma delas muito eloqüente
em rezar suas rezas e cantar seus cantos,os quais podiam ser ouvidos a bons metros de distância .
Dona Josefa e Dona Carmelita eram também conhecidas por gostarem de uma boa fofoca e estarem sempre muito bem informadas a respeito da vida alheia.
Pois nessa procissão,o padre dizia: ave Maria cheia de graça ,o senhor é convosco e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
E os fiéis em coro rezavam a outra Parte :santa Maria,mãe de Deus ,etc.etc..e tudo de novo.
Eu e minha irmã que mais especulávamos quem tava na procissão do que rezávamos , curiosidade própria das crianças entre 7 e 8 anos –íamos de braços dados ao lado de nossos pais e atrás da Dona Josefa e Dona Carmelita. E, como já disse , as duas rezavam fervorosas e tão alto que boa parte dos fiéis ouviam e se sentiam desobrigados de repetirem a sua parte, só que no meio das preces iam colocando os assuntos em dia . Numa dessas, subindo a rua da igreja , prosseguiam as duas eloqüentes .
O padre disse : Ave Maria cheia de graça...
E Dona Carmelita: - Santa Maria mãe de Deus, zefa o que é aquele prédio ali na esquina ? agora e na hora de nossa morte.Amém.
Prontamente responde a outra:
O padre disse : Ave Maria cheia de graça...
E Dona Carmelita: - Santa Maria mãe de Deus, zefa o que é aquele prédio ali na esquina ? agora e na hora de nossa morte.Amém.
Prontamente responde a outra:
-Amém! Glória ao pai ao fi... ,aquele é o prédio duma mulher de São Jerônimo... Santa Maria mãe de Deus.
-Rogai por nós pecadores, mas o que vão vender? Ave Maria cheia de graça .- continua Dona Josefa.
-É uma loja, Souza e Souza é o nome (e incrementando a voz prosseguiu a oração ) Bendito é o fruto do vosso ventre ...
As duas:Amém!
Sem poder segurar o riso, coisa que nunca consegui mesmo e para não sermos notados e acusados de blasfêmia, meu pai não menos louco pra rir, parou a beira da estrada e trocamos de lugar na procissão. Ali tinha se estragado o programa ou melhorado, cá pra nós. Eu e minha irmã, não conseguimos fazer outra coisa que não fosse rir e imitar as duas carolas, o que nos valeu bons beliscões-beliscõezinhos, que quanto menores, mais doíam.
Quisera eu que a coisa parasse por aí, que no outro dia não tivesse a novena e eu não tivesse que ficar perto da dona Josefa, pois ela era do coro e nós, eu e outras crianças, líamos versículos bíblicos durante a missa.Tudo ia bem e eu até poderia ter esquecido do episódio, se Dona Zefa não fosse aquele tipo de carola empolgadíssima em suas rezas e cant
Num dos cânticos ela extravasou, dessa vez para uma platéia bem maior (no mínimo metade da população da cidade). A música era aquela, cujo o refrão diz!Glória, Glória, Aleluia! Foi no decorrer da canção que dona Zefa foi se empolgando sua voz ficando cada vez aguda.
Num dos cânticos ela extravasou, dessa vez para uma platéia bem maior (no mínimo metade da população da cidade). A música era aquela, cujo o refrão diz!Glória, Glória, Aleluia! Foi no decorrer da canção que dona Zefa foi se empolgando sua voz ficando cada vez aguda.
E de repente ela se entregou a canção, todos pararam de cantar e ela continuou, abafando:glória, glória, aleluiaaaa.O padre vendo a situação prolongou o canto, até ficar insustentável. O padre então a contragosto bateu em seu ombro e fez um sinal lembrado que queria continuar a missa.
Eu, bum, explodi, explodi de rir e tive que sair correndo da igreja. SEmpre foi assim, engulo o choro, mas o riso, por favor não me peça!
FOTO: irmãs Cajazeiras da novela "O bem Amado" sempre me lembram das procissões .
O Cruzeirão
Em um ponto qualquer de Porto Alegre. Segunda, às 9 e 30 da manhã. Chuva que Deus manda. Numa parada de ônibus depredada, pichada, estropiada. Eu ali, de capa, bota, sacola numa mão, mochila na outra e um guarda-chuva de contra-peso. E nada do Cruzeirão passar.
A cada momento chegava mais e mais gente e a parada ai inchando, inchando. E as pessoas insistindo em ficar todas no mesmo lugar, em baixo do abrigo, mesmo que destelhado. Como se a passagem de ônibus incluísse vaga no abrigo.
Ao meu lado uma senhora gorda, com óculos embaciados, uma capa vinho de gabardini e chapéu mesmo tecido e mesma cor, completamente encharcados, uma bota larga de cano curto, dando ar de galochas e com a maior tromba, disputando com o olhar e o cotovelo, um espaço em cima de uma pedra.
Escoradas na lateral do abrigo, onde batia água, conversavam duas senhoras do lar, baixas, magras, apáticas e narigudas. A de verruga na sombrancelha falou para outra:
-Ele bate em mim, mas só de vez em quando. –num tom bem alto, num descanso, como que sugerido que as outras mulheres da parada, pelo menos de vez em quando levavam um sopapo ou um regabofes do marido. E ela, absoluta, a única com coragem de assumir.
A outra nariguda, por sua vez, balançava desolada a cabeça, cabisbaixa, de um lado para o outro, de vez em quando dizia:
-É brabo vizinha...é brabo...
-Ele bebe, mas não deixa faltar nada lá em casa - prosseguia a baixinha, cada vez mais inchada de orgulho.
-Os armários tão sempre cheio, do bom e do melhor!
E eu cá nos meus botões: Agora ela ta me desafiando, tá insinuando que os meus armários estão vazios. E eu nessa chuva, tendo que agüentar tudo isso. Meu Deus! My God! Alah, meu bom Alah!
E continuava a conversa, que já atraía a atenção de todos os passageiros do Cruzeirão, que não chegava:
-Não diz nome feio, que é pra não dar mal exemplo pros filho....bebe e vai dormir.
A outra, enfim trocou a frase:
-É não é fácil vizinha...não é fácil...
-Não é fácil, mas eu pelo menos não sou fingida e mentirosa, que nem a Janete Saracura, a senhora conhece né?
-A da casa amarela, a do cinamomo?
-É, a mulher do Tião maneta. Aquela apanha até por dentro dos olho. Tu te lembra quando ela se perdeu, que foi uma desgraceira pra família - falava apertando a boca e forçando uma papada, sabe como,né?
-Coisa muito triste! Mas a gente que tem filha moça, até nem pode tá falando – ponderava a outra.
-Mas eu não to falando, só to lembrando da desculpa esfarrapada que ela deu pro pai, mais pra mãe dela e que o resto da lomba ficou sabendo.
-Eu não to bem lembrada, também faz tanto tempo...-desconversava a vizinha, pelo jeito evitando fofoca.
-É faz tempo, mas ta vivinho aqui - bateu na cabeça, encaixolando os miolos e continuava:-Dizia que pegou barriga no banco quente. Por certo de algum crioulo, por que aquela criança era bem escurinha – falou rapidinho empolgada com o público atento da parada.
A essas alturas, eu já tava ensopada e tinha perdido a pedra pra gorda de óculos, que queria assistir tudo de camarote.
E a conversa continuava, enquanto ia passando uma turnê de ônibus: Cohab Cavalhada, Tristeza, T4, T2, T3 e todos os Tes, menos o Cruzeirão, o único que largava a gente em frente a Rodoviária.
Comecei a me preocupar com o horário e a sentir frio. Enfim dois ônibus pararam na sinaleira, um com as listras verdinhas, era o Cruzeiro. Num instante o povo todo se alinhou as pressas, puxando o dinheirinho da passagem. E aí vinha o Cruzeiro e POFT, dava um banho d’água em todo o mundo, inclusive na gorda que me roubou a pedra e que foi a primeira a formar fila. Bem feito! Que saco! Eu também fiquei toda encharcada, não fosse a comicidade das duas narigudas fofoqueiras terem tomado um banho e mais parecerem dois marrecos, eu teria pedido briga com o motorista.
Rumo a rodoviária, costeando o hipódromo. Quanto tempo morando nas barbas do hipódromo, sem nunca ter tido um pila pra assitir as corridas. È a vida!
Eu na janela, do meu lado uma negra forte, que no mínimo tinha despejado meio vidro de cashemere bouquet por cima. É minha mãe tinha razão, cashemere bouquet cheirava a morto.
E eu me nauseando, se virasse pra esquerda era desmaio na certa. Me levantei, eu, capa, bota, sacola numa mão, mochila na outra e um guarda-chuva de contra-peso.
sábado, 19 de dezembro de 2009
SARAU LITERÁRIO
O SARAU LITERÁRIO DE CHARQUEADAS NASCEU DE UMA IDÉIA QUE SURGIU QUANDO EU ESTAVA NA PRESIDÊNCIA DA COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA CÂMARA DE CHARQUEADAS EM 2004, QUANDO PENSAMOS EM REUNIR OS LITERATOS DO MUNICÍPIO PARA APRESENTAREM SEUS ESCRITOS EM UM SARAU. O EVENTOU DEU CERTO E ACABOU POR FOMENTAR A EFETIVAÇÃO DA ASLIC - ASSOCIAÇÃO DOS LITERATOS DE CHARQUEADAS.A PREFEITURA ACABOU ENCAMPANDO O EVENTO JUNTO A ASSOCIAÇÃO E ANUALMENTE TRAZEM AO MUNICÍPIO UM ESCRITOR FAMOSO E ABREM ESPAÇO PARA TODOS OS ESCRITORES COM TRABALHOS PUBLICADOS PALESTRAR EM E EXPOREM SUAS OBRAS E SUA VIDA.EM 2008 TIVE A HONRA DE SER ESCOLHIDA COMO PATRONESSE DO SARAU. NA FOTO APAREÇO COM MEU ESPOSO GIOVANE,NO MOMENTO EM QUE RECEBI UMA PLACA DA ASLIC, HOMENAGEANDO PELA CRIAÇÃO DO SARAU LITERÁRIO. FOI MUITO LEGAL!
TRIBUTO AO SR. JAIR
PATRÍCIA FERREIRA DA SILVA
AS PESSOAS TEM DESSAS COISAS DE QUERER JUBILAR E SANTIFICAR AS OUTRAS, DEPOIS QUE MORREM.
MAS POSSO GARANTIR QUE COMIGO NÃO FOI ASSIM, PASSEI ESSES ANOS QUE DEUS ME DEU JUNTO AO MEU SOGRO DIZENDO A TODOS O QUANTO EU ERA FELIZ POR TER EM MINHA VIDA DUAS PESSOAS COMO ELES. SEMPRE PRESENTES, PRINCIPALMENTE NAS HORAS MAIS DIFÍCEIS, SEMPRE PROCURANDO NOS RODEAR DE ATENÇÕES E CUMULAR DE BENÇÃOS. ÉRAMOS, NÓS, FILHOS, NORAS, GENRO, NETOS ENTÃO NEM SE FALA, A RAZÃO DE VIVER DOS DOIS E CREIO QUE CONTINUAREMOS SENDO PARA MINHA BOA E DILIGENTE SOGRA QUE FICOU, O SEU TUDO, PERSONAGENS PRINCIPAIS DA SUA VIDA.
LEMBRO DE TANTAS COISAS QUE NÃO AS PODERIA CONTAR TODAS DE UMA VEZ, SÃO MUITAS. ANTES DE SER MEU SOGRO O SEU JAIR FOI MEU COLEGA NA PREFEITURA E LEMBRO QUE ALI NA PREFEITURA ONDE É HOJE O BONATO, FAZÍAMOS TODOS OS DIAS UMA LONGA FILA PARA BATER O PONTO E
TODA A SEMANA, ESPECIALMENTE NAS SEGUNDAS E SEXTAS-FEIRAS, ELE SEMPRE VINHA COM UMA GRACINHA, GOSTAVA MUITO DE SE ARRIAR NOS COLEGAS. UMA VEZ ELE COM MUITO ESMERO PREPAROU UM RABINHO DE ARAME E PAPEL E PEDIU PARA UM COLEGA ENCAIXAR DIREITINHO NA CALÇA DO JOÃO NA FILA DO PONTO E DEPOIS COM JEITINHO ELE MESMO PÔS FOGO, FOI UMA FESTA! PENA QUE O FOGO NÃO APAGOU E ACABOU QUEIMANDO CALÇA E CAMISA DO TAL E SAPECANDO UM POUCO A SUA POUPANÇA...MAS SEU JAIR JÁ ESTAVA LONGE PRA VER O ESTRAGO. O COLEGA NÃO TEVE O MESMO ESPÍRITO, NÃO ACEITOU A BRINCADEIRA, FICOU FURIOSO E FOI QUEIXAR-SE AO PATRÃO, QUE FEZ TODO O ESFORÇO PARA NÃO RIR NA FRENTE DO RAPAZ E GARANTIU TOMAR UMA PROVIDÊNCIA, CHAMOU O JAIR E DEU UM GANCHO A ELE. PASSADOS OS DIAS DE CASTIGO, O JAIR FOI NOVAMENTE CHAMADO NA CHEFIA, FOI QUANDO PERGUNTOU DO QUE ESTAVA SENDO ACUSADO E LHE DISSERAM, TU SABE, DE POR RABO NO SEU COLEGA DE TRABALHO. ELE DISSE, RABO EU NÃO BOTO, MAS FOGO...
MOTORISTA DA AMBULÂNCIA DA PREFEITURA E NAQUELA ÉPOCA A AMBULÂNCIA TINHA UMA MACA E CAMISA DE FORÇA PARA LEVAR OS “LOUCOS” PRO SÃO PEDRO E OUTROS HOSPITAIS EM PORTO ALEGRE. UM DIA DE MANHÃ, TUDO COMBINADO, ELE E OUTRO COLEGA PEGARAM A MARILANE, UMA DAS FUNCIONÁRIAS DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO A FORÇA , METERAM NA CAMISA DE FORÇA, ATARAM NA MACA E COMEÇARAM A DAR VOLTAS NA QUADRA DA PREFEITURA COM A SIRENE LIGADA E A MARILANE GRITANDO DESESPERADA: ME SOLTA, ME SOLTA!!!
COISAS ASSIM, COMO AQUELA VEZ, FAZ POUCO TEMPO QUE LIGOU PARA O TAXISTA DE MADRUGADA E DISSE QUE ERA UM CLIENTE QUE QUERIA UMA CORRIDA, QUE PEGASSE ELE EM FRENTE AO CEMITÉRIO, SENÃO IA VER O QUE ACONTECERIA. NO OUTRO DIA O TAXISTA CONTOU A HISTÓRIA PRA TURMA NO FAMOSO BANQUINHO DA PRAÇA, SÓ QUE TODOS JÁ SABIAM DA SACANAGEM E FOI AQUELA RISALHADA. AH... QUANTAS VEZES VAMOS LEMBRAR E TER SAUDADES DELE, MUITO MAIS QUE MUITAS,,,TENHO CERTEZA DISSO.
O GIOVANE GOSTA DE C ONTAR DAS SACANAGENS E TAMBÉM DAS BRABICES DO SEU PAI, QUE QUANDO ELE E O JAIRO BRIGAVAM, AMARRAVA OS DOIS UM DE COSTAS PRO OUTRO NUMA ÁRVORE NOS FUNDOS DE CASA. QUE O GIOVANE COSTUMAVA SAIR E NÃO CUMPRIR HORÁRIO DE VOLTA E QUE UM DIA QUANDO COMEÇARAM A CANALISAR E ARRUMAR A RUA JÚLIO ROSA, SEU JAIR SE ESCONDEU E TAPOU-SE COM UM LENÇOL, ESPEROU O GIOVANE CHEGAR PERTO E QUANDO ELE CHEGOU, LEVANTOU-SE E DEU UM BAITA SUSTO...O GIOVANE FOI PARAR LÁ NA TIA CELA APAVORADO E FICOU POR MUITO TEMPO ACREDITANDO EM FANTASMA E SEM SABER QUE O FANTASMA ERA O PAI DELE.
GELÉIA DE MOCOTÓ, CHURRASCO NO DOMINGO E A PRAIA?
ELE SENTADO EM SUA CADEIRA NOS FUNDOS DA CASA TOMANDO CHIMARRÃO, PENSATIVO...OU NA FRENTE ONDE JÁ TINHA UMA CADEIRA QUE ERA SÓ DELE OU DE CHAPÉU DE PALHA NA PRAIA FAZENDO SEMPRE UMA REFORMA, O SEU ERONÍ E O DORMINHOCO...INVENTANDO ALGO, SOLTANDO PANDORGAS, CORTANDO PINHEIROS,TOMANDO CHIMARRÃO E CONTANDO CAUSOS COM O NEGRINHO E A RITA...COM OS NETOS OU SÓ OS DOIS, LOUCOS DE MEDO DE LADRÃO NA PRAIA...MEU DEUS! O TEMPO SE FOI...AGORA UM OUTRO TEMPO...SEM ELE...
LEMBRO QUE QUERIA TANTO VER MEU PAI, UMA NOITE NÃO CONSEGUIA DORMIR, EU E O GIOVANE APENAS NAMORADOS E EU COMENTEI QUE TINHA VONTADE DE VER MEU PAI NO HOSPITAL AQUELA NOITE, ELE PEGOU A BRASÍLIA AMARELA E ME LEVOU LÁ, ACABEI CHEGANDO NEM BEM DEZ MINUTOS ANTES DELE MORRER.COMPLICADAS ESSAS LEMBRANÇAS, ACHO QUE FOI ALI QUE ME ADOTOU PRA FILHA TAMBÉM, TINHA VISTO A MINHA FRAGILIDADE, ACHO QUE SEMPRE SOUBE QUE POR TRÁS DAQUELA CARA DE SABE-TUDO E RESOLVE TUDO HAVIA ALGUÉM...EU.
LEMBRO DA FOTO DO MEU PAI MOÇO EM FRENTE AO CLUBE UNIÃO, COM UM AMIGO MORENO DO LADO, ERA ELE, OS DOIS COM UM CIGARRINHO NO MEIO DOS DEDOS, ERAM AMIGOS. O TARTARUGA E O TIO VILA E APRONTARAM POUCAS E BOAS JUNTOS. O QUE NÃO SABIAM É QUE UM DIA OS FILHOS IAM SE CONHECER E CASAR E TER FILHOS, ACHO O NICOLAS UMA MISTURA DOS DOIS.O NICOLAS, O PRIMEIRO NETO, O COMPANHEIRO DO VOVÔ, TEVE TODOS OS PRIVILÉGIOS E ADOTOU ALGUNS JEITOS E MANIAS DO AVÔ, TOMA SEU CHIMARRÃO SOZINHO, GOSTA DE BRINCAR E FAZER GRAÇA COM A CARA DOS OUTROS, ACHA TUDO ENGRAÇADO E AO MESMO TEMPO É MUITO FAMÍLIA. VAI TER O PRIVILÉGIO E O PREJUÍZO DAS BOAS E DAS MÁS LEMBRANÇAS...CADA NETO SEMPRE TÃO ESPECIAL PARA ELE, CADA UM, O NIC, A MARINA(GRITONA), O JOSÉ (ZEZINHO), A RAQUELI (ESSA GURIAZINHA), A ANINHA DO VOVÔ E A MARIA CLARA (A PRETINHA).
NOSSA ALEGRIA É SABER QUE ELE NÃO ESTÁ EM UMA ESTRELA QUE BRILHA OU VAGANDO POR AÍ, MAS JUNTO DE DEUS NO LUGAR EM QUE O SENHOR ESCOLHEU E RESERVOU PARA ELE. A DAIANE TROUXE A PALAVRA QUE DEUS DEU NAQUELA TARDE TÃO DIFÍCIL E TÃO TRISTE, ESTÁ EM ECLESIASTES 3 – HÁ TEMPO PARA TODAS AS COISAS...TEMPO DE NASCER E TEMPO DE MORRER E EM JOÃO: 14 – NA CASA DE MEU PAI HÁ MUITAS MORADAS E QUE O SENHOR HAVIA PREPARADO MORADA PARA SEUS AMADOS. ELE PRÓPRIO QUIS ASSIM, ENTREGOU SUA VIDA PARA JESUS, AGORA É DELE E CERTAMENTE NOS REENCONTRAREMOS NA GLÓRIA! OUTROS TEMPOS!
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